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Publicado em: 08/03/2017

Do amargo do fumo para o doce das trufas

Luzia Bilk hoje tem como fonte de renda a produção e comercialização de gêneros alimentícios que são preparados na propriedade da família. No entanto, anteriormente ela e a família trabalharam por mais de 20 anos na fumicultura.

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Luzia Longem Bilk, de Agronômica/SC, hoje tem como fonte de renda a produção e comercialização de gêneros alimentícios que são preparados na propriedade da família. No entanto, anteriormente ela e a família trabalharam por mais de 20 anos na fumicultura. “Quando trabalhávamos com fumo, nunca imaginávamos que iríamos parar com essa atividade. Não tinha estudo, só até a 5ª série, não tinha conhecimento de nada quase e nem de casa saía praticamente. Até quando ia no mercado era interessante. Eu fazia comprinha no mercado e meu marido pagava, eu nem dinheiro na mão pegava”, conta dona Luzia. 
A vida da família tomou outro rumo quando o esposo de Luzia sofreu um infarto, passou por cirurgia, se recuperou, mas por ter problema no coração teve que se cuidar e não podia trabalhar mais na roça. Na época, dona Luzia ficou muito preocupada pois, sem estudo e os filhos queriam seguir a vida deles, não sabia o que “fazer da vida”. Terminou a safra de fumo que estava em andamento e depois não sabia o que fazer. “Chorei muito. Eu não sabia o que ia fazer da minha vida, realmente não sabia”, conta emocionada até hoje. 
Pensou em trabalhar como diarista, mas tinha vergonha. Foi incentivada então pela cunhada e resolveu que era isso que faria. Com a ajuda de uma amiga logo conseguiu um emprego e trabalhou durante sete anos nessa função. Até que um dia, esperando abrir a farmácia onde trabalhava, conheceu uma mulher que lhe deu um conselho: – “Ela me perguntou o que eu fazia, eu contei, e ela me disse: largue mão disso mulher. Vai fazer trufa para vender. Eu também faço. Eu não lembro de onde é a mulher e nem o nome dela. Parece que foi um anjo que veio na minha frente. Mas olhei para ela, parecia um conselho tão verdadeiro, que ia dar certo. Resolvi fazer isso”, lembra. No mesmo dia, Luzia foi comprar as formas de trufas. O detalhe é que quando a vendedora questionou se ela queria formas grandes ou pequenas ela ficou em dúvida, pois tinha comido trufas uma vez na vida e não fazia ideia do que precisava. Mas respondeu: – “Pode me dar das grandes”.
 O próximo passo foi descobrir quem podia lhe ensinar a fazer trufas. Foi então que lhe indicaram uma mulher que ela não conhecia, Rosi Venturi. “Cheguei para ela e disse: sei que você não me conhece, eu também não te conheço, mas queria aprender fazer trufas se você pudesse me ensinar. Contei minha situação e ela me ensinou. Aprendi o básico. Fiz a receita dela, depois fui pegando dicas com as pessoas e fui fazendo. Trabalhava meio período na farmácia e meio dia vendia trufas nas portas das lojas. Até que pensei em aumentar”, conta. Com o tempo dona Luzia começou a fazer alfajor, mini bolos, pastéis, aumentando os itens e atualmente produz em torno de 40 itens alimentícios. Agora há sete anos nessa atividade se diz muito satisfeita e conta com a ajuda do marido para embrulhar os produtos.
Dona Luzia é mais um exemplo de mulher que passou por dificuldades, “engoliu” o choro e tocou para frente. Enfrentou os desafios e foi em busca de melhores condições de vida para si e a família. Além disso, encontrou uma atividade em que pode dizer que ama o que faz.
Com essa história queremos homenagear a todas as mulheres pelo Dia Internacional da Mulher, nesta quarta-feira (08/03).
 

Assessoria de Imprensa da Cresol Central SC/RS