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Publicado em: 19/10/2016

Mulheres da Luta 3

Conheça mais uma história do projeto Mulheres de Luta da Cresol Central.

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Mônica salienta que as mulheres devem ser teimosas e enfrentar os desafios. Ela passou por um câncer, enfrentou quimioterapias, perdeu o cabelo, mas jamais deixou se abater. Sempre manteve a coragem e a autoestima. O apoio do marido e da família foi fundamental. Conheça mais uma história do projeto Mulheres de Luta da Cresol Central.

Mônica Borba Pôrto – Cresol São João do Sul

“Tenho 33 anos, sou formada em Pedagogia, pós-graduada, e administro a propriedade com o meu marido. Ele trabalha na roça e as finanças quem administra sou eu. Nasci em Joinville, mas vai fazer 15 anos que vim morar em São João do Sul. Passei um pouco de trabalho, batalhei bastante e estudei. Casei uma vez, não deu certo, nos separamos e tenho uma filha do primeiro casamento. Casei pela segunda vez com meu esposo atual e tivemos um menino”, relata Mônica Borba Pôrto, associada da Cresol São João do Sul. 
A família de Mônica sempre trabalhou na agricultura, mas ela estudou e trabalhou como professora de 2008 a 2015, quando iniciou o tratamento de um carcinoma ductal invasivo. “É um tipo de câncer de mama extremamente agressivo e raro para minha idade. Descobri fazendo o autoexame de mama, o que foi fundamental. Apesar de que o médico que eu consultei falou que não era nada, mas bati o pé e disse que eu queria um ultrassom porque me conhecia e tinha alguma coisa errada ali”, conta Mônica. Ela procurou na internet, fez exames, batalhou.  “Sou muito teimosa e sempre digo para as minhas amigas que sejam teimosas, porque se não for teimosa, não enfrentar, você não vai conseguir”, ressalta.
Mônica destaca que o diagnóstico foi complicado. “O câncer é invasivo, então quanto mais rápido fossemos atrás dos recursos, exames, cirurgia, maior seria a efetividade do tratamento. Era uma corrida contra o tempo, porque o câncer estava aqui dentro, sabia que a qualquer momento ele podia se espalhar para outro órgão. Mas graças a Deus não aconteceu. É uma sensação muito ruim, não tem como explicar”, descreve. “Fiz cirurgia para retirar o tumor. Depois fiz quimioterapia durante oito meses e há umas três semanas comecei a fazer radioterapia. A minha luta começou há mais de um ano”, conta. Mônica fez dois tipos de quimioterapia. A branca, que foram doze sessões, e depois fez quatro sessões da vermelha que era a cada 21 dias. “As duas tinham efeitos diferentes. A branca tinha um efeito mais de fadiga, mal-estar, mas depois de dois dias era vida normal. Já a vermelha não, a vermelha é a pior que tem, essa derrubava mesmo, foi na qual começou a cair mais o cabelo”, explica.
Nesse processo todo a família, e principalmente o esposo, foram o apoio de Mônica. “Ele ia comigo nas quimioterapias, cuidava de mim em casa, na cirurgia, além de cuidar da casa e da propriedade. Quando meus cabelos começaram a cair foi meu marido quem raspou minha cabeça. Além disso, meus filhos pequenos também me davam coragem para enfrentar”, comenta. Agora, tem manutenção por cinco anos com medicação. “Isso tudo mexe muito com o psicológico: perder o cabelo, a sobrancelha, ficar debilitada, a quimioterapia engorda muito. Se você deixar o teu psicológico abalar é mais difícil, mas eu nunca me deixei abalar, claro, tem momentos bem difíceis, mas minha família estava ali do lado. Tinha dias que eu acordava, levantava e tinha vontade de voltar para a cama porque eu me sentia horrível e meu marido sempre me dizia ‘não, você está linda, isso vai passar, tudo passa’. E foi ali que me deu a força. Foi ele”, destaca.
Mesmo doente continuou fazendo a pós-graduação, se formou em agosto, e agora está estudando para conseguir uma vaga no Estado, para no ano que vem continuar.
Papel da Mulher na sociedade
Para Mônica a mulher é importante na sociedade para tudo. “Antigamente as mulheres só serviam para cuidar de casa e do fogão. Mas não é mais assim, a mulher foi buscando seu lugar no mundo do emprego e hoje está aí, tentando a igualdade”, reforça.
Mônica argumenta que ainda existe preconceito e discriminação com as mulheres. “Eu estive na oficina mecânica faz umas três semanas e tem aquele macaco hidráulico e tinha que entrar de ré, aí o moço: ‘moça deixa que eu coloco pra ti’ e eu disse: ‘não, pode deixar que eu coloco’. E eu entrei de ré e coloquei certinho. Na mentalidade dele, achou que eu não conseguiria porque sou mulher. Só que o meu padrasto é mecânico, então tirar carro e botar carro dentro da oficina em espaço apertado, de ré ou de frente, era uma coisa que eu fazia bastante”, exemplifica.
Saúde da Mulher
 A opinião de Mônica é que para a mulher ser saudável ela precisa se cuidar, se amar, se olhar no espelho e não pensar “eu estou gorda”, ou “hoje eu não estou legal”, é amar o ser mulher. Se amar de verdade. “Defeitos todo mundo tem, se eu estou um pouquinho mais gordinha, o cabelo não está legal, passei por tudo que passei e estou viva! Eu sei o que é acordar de manhã e não ter um fio de cabelo na cabeça, não ter sobrancelha. Mas mesmo assim, colocava um lenço, um batom, um brinco legal e ia para a quimioterapia. Me gostava assim”, diz. Para ela o que influencia na saúde da mulher é um conjunto de coisas: o psicológico, cuidar da alimentação e fazer o que gosta. “E claro, se cuidar, fazer exames, autoexame que é uma parte muito importante, porque querendo ou não, hoje em dia ainda 70% das mulheres morem de câncer de mama, por não ter o diagnóstico precoce ou porque examinou e achou que era uma coisinha, não era nada, e foi deixando, quando chegou a um ponto que não tinha mais jeito”, ressalta.
Desafio para mulheres rurais
Mônica salienta que o maior desafio que as mulheres rurais enfrentam hoje é a busca pela igualdade. “Porque a mulher que trabalha na roça chega às 11 horas, sai da roça para fazer o almoço, para o marido ou para um monte de peão. Não é o que acontece aqui em casa. A gente sai junto e divide as tarefas em casa”, diz.  “As mulheres precisam ir atrás de cursos, palestras. Geralmente tem palestras tanto no fumo como maracujá e eles não convidam as mulheres, convidam os homens, então tem que se meter. Estudar, ir atrás, não pode ficar esperando, pois nada vem de mão beijada”, destaca.
Mônica ainda tem um projeto para desenvolver uma cartilha para agricultores sobre o manejo orgânico do maracujá. Além disso, participa de projeto que arrecada cabelo para fazer peruca e doar às crianças e mulheres com câncer.
 

Assessoria de Imprensa da Cresol Central SC/RS