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Publicado em: 26/10/2016

Mulheres da Luta 5

A história de vamos conhecer hoje é de uma agricultora que luta pela organização da propriedade. Que embora cansada ama ser agricultora.

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A história de vamos conhecer hoje é de uma agricultora que luta pela organização da propriedade. Que embora cansada ama ser agricultora. Ana Oladia também luta por maior reconhecimento e autonomia da mulher.

Ana Oladia Pinheiro Giacomin – Cresol Pedra Branca

Ana Oladia Pinheiro Giacomin, associada da Cresol Pedra Branca, é filha de agricultores e que segundo ela, sempre tiveram muitas dificuldades. Se casou em 1995 e continuou o trabalho na agricultura. “Não tínhamos condições, éramos pobres, conseguimos comprar essa terra quando vendemos nossa terrinha em Jupiá. Tudo que nós tínhamos era um filho. Ficamos cinco anos sem nem um carrinho para poder sair da nossa casa, tudo longe. Moramos nessa propriedade em Coronel Martins há 15 anos, mas quando chegamos aqui não tinha palanque, não tinha luz, não tinha nada, começamos do zero mesmo e sem condições”, ressalta.
Sempre gostou de trabalhar na agricultura, de “plantar para ter mais saúde, não buscar tudo do mercado”. Inicialmente a família plantava para o consumo. “Começamos a produzir melancia, vendia o que sobrava, começou a dar um lucrinho. O que ia sobrando íamos vendendo: cebola, melancia, verduras… enchia o Passat de frutas e verduras e ia vender na cidade. Depois fomos ampliando. Começamos a comercializar para merenda escolar e foi melhorando. Éramos conhecidos já, as pessoas vinham aqui comprar, procuravam nós na cidade. Nossa, tinha um giro grande aqui na propriedade, tinha diversificação da produção”, lembra Ana. Atualmente trabalham com gado de leite e aviário, mas ela salienta que o giro não é o mesmo. Além disso, há dificuldades com o pasto, devido a geadas, bem como faltam políticas públicas.
Ana reforça que é um trabalho “puxado”. “Cuido com amor das nossas atividades, mas nesses 21 anos eu trabalhei muito e estou cansada. A rotina é bem puxada, acordo antes das seis, chamo meu ‘piá’ que é meu braço direito para ele ajudar. Meu marido dorme até mais tarde porque ele cuida do aviário de madrugada. Depois da ordenha vou para o aviário, mas às 11h vou para casa fazer almoço e cuidar da casa. O médico me mandou parar, diminuir o ritmo, mas daí quem faz?”, destaca.
Para Ana as mulheres têm uma sobrecarga e muita responsabilidade. “É leite, aviário, é horta, é filhos, é casa, é tudo! Toda madrugada eu levanto para ‘tirar leite’, mas acho que é importante pelo menos um dia de folga, a família precisa se ajudar e revezar as responsabilidades”, explica. “O meu sonho era ter estudado, para poder ter uma vida melhor. E meus filhos adoram aqui não se veem em outro lugar! Eu tento passar isso para eles, mas não é fácil. A gente conquistou bastante coisa, mas a custo de muito trabalho. Eu acho que a maior dificuldade que enfrentamos é conseguir colocar em prática o que eu aprendo nos cursos, mudar a rotina e a forma como conduzimos nossa atividade”, completa.
Saúde da Mulher
Ana comenta que a mulher tem que se cuidar, não esperar ficar doente. “Mas eu não sirvo de exemplo [risos] eu sempre espero! Eu esperei demais quando atacou os nervos, podia ter sofrido bem menos. Mas priorizamos a casa, os filhos, o marido e a gente é quando dá. Às vezes eu sentia dor e pensava que não daria para trabalhar, mas eu tocava igual”, conta. Na opinião dela influencia na saúde a mulher ter boa alimentação, ser cuidada, respeitada. “Pois tem um monte de coisas que passam despercebidas, a exemplo de um elogio pelo que fazemos. Você cuida de todo mundo, faz tudo e eles nem percebem, como se você tivesse nascido para cuidar e trabalhar.  Eu acho que também é importante o casal planejar junto, colocar na ponta do lápis, decidir juntos. A gente precisa bater o pé. Para controlar as contas é preciso planejar bem, conhecer bem a propriedade, mas juntos, a família toda”, frisa.
Para ela, as mulheres precisam ser menos repreendidas. “Os homens não se abaixam e as mulheres se submetem, não tem voz nem vez e elas precisam superar isso para ter mais espaço de protagonismo social. Enquanto eu conseguir batalhar e continuar eu vou lá. Mas tem mulheres que tem medo pelos filhos, porque não tem autonomia e ficam quietinhas”, ressalta. “Ela precisa ser valorizada, às vezes é como se ela fosse só para trabalhar, então tem que conquistar. Eu sempre apoio as mulheres, porque elas sabem o que a gente passa, sempre dizem que tem TPM, que é chata, mas quem passa sabe o que é. Eu acho que as mulheres sofrem preconceito, eu vejo que os homens desmerecem as mulheres, duvidam delas, fazem piadas”, enfatiza. Segundo Ana, a mulher ainda não é valorizada, ainda se tem uma visão de que a mulher não é aquela que enfrenta, mas sim aquela que ajuda. Ela salienta que por muito tempo, e ainda hoje, às vezes, se pensa que a mulher está atrás do marido e não ao lado. É preciso superar isso.
 

Assessoria de Imprensa da Cresol Central SC/RS