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Publicado em: 08/03/2022

Mulheres: luta por direitos e presença no cooperativismo

rosane

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Em março costumeiramente relembramos as lutas das mulheres pelos direitos e pela igualdade. Neste mês também nossas cooperativas estão realizando diversas pré-assembleias e assembleias que são momentos muito importantes para o cooperativismo. Por isso, conversamos com Rosane Pansera Dalsoglio que sempre lutou por esses direitos, bem como pela participação feminina no cooperativismo. Rosane ocupa a função de diretora-presidente da Cresol Planalto Serra, com sede em Sananduva (RS), desde 2010.

A Cresol Planalto Serra atualmente ultrapassa a marca de 30 mil associados, conta com 24 unidades de atendimento, 150 funcionários e alcança aproximadamente R$ 600 milhões de ativos.

Trajetória

“Sempre fui uma lutadora dos movimentos sociais desde 1986. Fiz parte da coordenação municipal, regional e estadual de movimento de mulheres. Na época a gente reivindicava direitos para mulheres, homens e políticas públicas, já que a agricultura familiar era esquecida pelo governo”, contou Rosane. Além dessa luta política, a presidente também participou das primeiras discussões para criação de cooperativas de crédito para a agricultura familiar. “Já tínhamos conquistado o Pronaf e os nossos agricultores não estavam conseguindo ter acesso porque os bancos não queriam muito financiar pequenos valores. Para eles era muito mais viável financiar valores maiores. Por isso, participei de uma rodada de reuniões aqui em Sananduva falando do Pronaf e dizendo da importância que seria termos uma cooperativa de crédito”, lembrou.

Com a Cresol criada, Rosane se tornou liderança da cooperativa e sempre lhe incomodava o fato de praticamente apenas homens participarem das reuniões e atividades. “Em algumas comunidades tinha alguma mulher que era liderança de sindicatos e que participava, mas era maioria homens. Por isso, em um primeiro momento a maioria das lideranças da Cresol eram homens. Com o decorrer, fui pedindo para os homens levarem as mulheres, porque sindicato, cooperativa não era só para homens. As mulheres tinham que participar, fazer parte, estar junto construindo essas organizações”, destacou.

Entre 2005 e 2009 Rosane trabalhou como coordenadora de lideranças na Cresol em Sananduva e em 2010 foi convidada para ser presidente da cooperativa. Aceitou o desafio. “Eu não sabia muita coisa, mas fui me envolvendo, querendo aprender, pedindo para funcionários da época para me ajudarem, queria fazer o trabalho bem feito. Fui até para o atendimento, visitas, fui me referendando. Contava com um grupo de umas 70 lideranças em Sananduva e tínhamos cinco unidades de atendimento. Fomos crescendo, trabalhando muito Gestão de Pessoas, valorizando funcionários, a formação e consegui mostrar para as pessoas que eu tinha capacidade. Estava superando os obstáculos que surgiram em meu caminho. Fiz uma boa gestão já no primeiro mandato. Fui para o segundo mandato com apoio de que deveria continuar, as lideranças defenderam muito que eu continuasse. Fui para mais um mandato e continuo até hoje”, relatou a presidente.

Desafios

Para Rosane, a Cresol possui como desafio continuar sendo essa cooperativa solidária e que o agricultor familiar sempre tenha seu espaço. “Pois foi por isso que criamos a cooperativa. Hoje ampliamos para cooperados da cidade, empresas, entidades e isso tudo fez a Cresol ser maior. Valorizamos todos que estão dentro da cooperativa, mas nosso desafio do Sistema Cresol é não perder a nossa essência”, argumentou.

 Outro desafio, segundo ela, é envolver mais jovens e mulheres dentro da Cresol, fazendo um trabalho diferenciado para esse público. “Ainda existe muito machismo. Esse é um grande desafio a superar. Mulheres e homens tem as mesmas capacidades para administrar. As mulheres precisam se valorizar, mas para isso precisa ter incentivo e termos mais mulheres no Sistema na linha de frente, pois funcionárias já somos maioria”, frisou. Dados de 2021 apontam que são quase 70% de mulheres que trabalham no Sistema Cresol Central Brasil e em cargos de direção são aproximadamente 18%.

Política de Diversidades

 Proporcionar maior participação das mulheres, principalmente na linha de frente, é uma das estratégias da Política de Diversidades do Sistema Cresol Central Brasil aprovada no ano passado.

A Política visa estabelecer uma proximidade, participação e ampliação dos sentidos das diversidades entre associados/as, considerando a diversidade de gênero, de orientação sexual, de raça/etnia, de geração, entre outras, no cooperativismo solidário e popular.