Acesse sua conta
Acessar conta
Publicado em: 03/04/2017

Programa buscou diversificar produção no Vale do Itajaí

A Coopertec participou da chamada pública e foi selecionada para prestar serviços na região do Vale do Itajaí – SC. Nessa região foram beneficiadas 880 famílias de 10 municípios.

Compartilhe

Compartilhe

O Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco foi realizado através de chamada pública para execução de serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) nos municípios que compõem os Estados Fumicultores da Região Sul. A mesma foi realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), atualmente representado pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SEAD), e beneficiou ao todo 11.200 unidades da agricultura familiar.
A Coopertec participou da chamada pública e foi selecionada para prestar serviços na região do Vale do Itajaí – SC. Nessa região foram beneficiadas 880 famílias de 10 municípios: Agronômica, Rio do Campo, Rio do Oeste, Taió, Vitor Meireles, Chapadão do Lajeado, Imbuia, Ituporanga, Petrolândia e Vidal Ramos.
As ações seguiram os princípios, objetivos e diretrizes das Política Nacional de ATER-PNATER, da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e as premissas do Programa de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco, sendo estas: Desenvolvimento Sustentável, Segurança Alimentar, Diversificação de Produção e Renda, Participação e Parcerias.
Pretendeu-se no programa contemplar a diversidade da agricultura familiar envolvida na produção de tabaco ou que estão inseridos em regiões onde predomina esta produção, considerando que a base para a promoção da diversificação de produção e renda, são os processos de desenvolvimento local, protagonizados pelos/as agricultores familiares inseridos/as em seus territórios.
A família de Valdete Russi Brandl de Agronômica, por exemplo, com a participação nos cursos oferecidos pelo projeto, hoje trabalha com a homeopatia em seu rebanho leiteiro, com o melhoramento de pastagens aplicando o pó de rocha no lugar da adubação química que era utilizada anteriormente. “Além de ter baixado o custo de produção, viu o seu produto ser mais valorizado. Por isso hoje planeja o abandono da cultura do tabaco para aumentar a atividade leiteira na sua propriedade”, comenta a técnica agrícola Leide Daiana Espindola. Além disso, a técnica ressalta que com o programa foi possível atender comunidades nunca atendidas antes com assistência técnica que não fosse a fornecida pela indústria tabagista.
A família de Jacir e Dayane Becker de Ituporanga, por sua vez, possui como atividade principal a fumicultura, vacas de leite e produção e venda de hortaliças. A propriedade já estava no processo de diversificação, mas acentuou seu potencial ao longo desse período. A técnica Claudia Heck relata que a família iniciou o processo de produção de seus insumos orgânicos, uso de preparados para o cultivo das hortaliças e manutenção sadia das vacas, ressaltando o baixo custo e melhor desempenho para tais. “Elaboramos na unidade áreas experimentais para a realização das oficinas de resgate de sementes de milho crioulo, onde foram plantadas pequenas áreas para avaliação do desempenho das sementes selecionadas nos anos de 2015 e 2016. No último ano, Jacir fez a substituição do milho comprado e plantado na unidade, por milho crioulo, usando como base as suas anotações de custo de produção e o bom desenvolvimento da cultura no local. Tendo por objetivo maior custo benefício com maior qualidade pelo menor custo financeiro”, conta o técnico.  “No ano de 2016 também iniciamos na propriedade o trabalho de implantação de uma unidade modelo do sistema de manejo galinheiro/horta que servirá para visitas e aprendizado das demais famílias beneficiárias do programa”, conclui.  
Produção Orgânica
Segundo a técnica de campo Thaís David de Amorin, seu Raulino Batels de Agronômica, passou de produtor de fumo insatisfeito para produtor de aipim. Através do projeto, foi possível buscar novas variedades de aipim e batata doce para ser experimentado na propriedade do beneficiário, conseguindo bons resultados e segundo o próprio beneficiário, uma das variedades apresenta qualidade superior as que eram cultivadas anteriormente. “Deve-se destacar que todo cultivo é feito de forma sustentável, sem uso de agrotóxicos e insumos químicos, a custo quase zero”, ressalta a técnica.
Seu Raulino afirma que não continuaria com a cultura do fumo. “É muito sofrido, muito desgastante, muitas doenças. É trabalhar muito e ganhar muito pouco. Não dá tempo de plantar nada para comer, não dá tempo de cuidar de uma vaca, de uma galinha, tratar um porco, fica tudo abandonado. Na época do fumo é só o fumo e não pode atender mais nada”, relata o agricultor. “Por motivo de doença, passei um ano pensando em outro tipo de cultura até que comecei trabalhar com aipim, e graças a Deus estamos indo muito bem, melhor que o fumo posso afirmar que estamos indo”, salienta Raulino que pretende duplicar ou até triplicar a produção. “Quem planta 40 mil pés de fumo pode plantar 100 mil pés de aipim que ainda trabalha menos. Sem contar que o custo de produção do fumo é alto e o aipim é custo zero praticamente”, avalia.
O produtor comenta que se pudesse aconselhar quem vive da fumicultura hoje diria “que saltassem fora o quanto antes que viveriam muito mais felizes”. “Quando plantávamos fumo, não tínhamos tempo para descansar, acampar, ir à praia, para nada. Época do fumo era época do fumo. E se tivesse tempo, não tinha dinheiro, pois recebia uma vez por ano. Agora não, toda semana tenho meu dinheiro”, frisa. Seu Raulino ainda reforça que atualmente há comércio “para tudo o que é tipo de alimento”. “Principalmente se for orgânico, sem agrotóxicos, plantar pouco e cuidar bem faz bastante dinheiro”, garante. Ele fala satisfeito da produção orgânica, dizendo que é possível plantar inclusive com uma boa colheita.
    Avaliações
O técnico em agropecuária Fábio Júnior Montagna, de Rio do Oeste, ao relatar a experiência menciona que no início não foi tão fácil a absorção das famílias ao programa, pois as mesmas relatavam que estavam cansadas de projetos que não saiam da teoria, que no final não conseguiriam alcançar nenhum resultado positivo à Unidade de Produção Familiar (UPF). “No entanto, com o desenvolvimento das atividades e práticas dos preparados orgânicos fomos ganhando a confiança de cada um. Com o passar do tempo ainda, começamos colher alguns resultados destas práticas e então sim podemos dizer que algumas satisfações destas famílias foram sanadas”, avalia.
Montagna enfatiza que o Programa e os objetivos são bons, no entanto, para ele o tempo de execução de três anos é pouco. “A transição de uma produção convencional que vem sendo indicada pelo agronegócio há anos, não se consegue mudar em três anos, é uma mudança complexa e por isso leva um bom tempo de trabalho para acontecer”, frisa.
Para a coordenadora do programa no Vale do Itajaí, Aline Sens Duarte, a proposta da diversificação não é uma proposta simples e rápida de ser alcançada, apesar de serem identificadas nestes três anos algumas conquistas e novas iniciativas. “É preciso considerar que a diversificação é um conjunto de fatores que precisam estar afinados para a mudança acontecer”, reforça. Segundo ela, é preciso repensar com emergência a forma com que está se fazendo a agricultura. “A forma como estamos nos organizando frente as nossas áreas de lavouras, nossos quintais e hortas, das nossas criações, das nossas relações com o mercado, para que tenhamos ‘meio ambiente’ livre de intoxicação e exploração, livre para comer com qualidade e viver com saúde. Se queremos a diversificação agroecológica como um sistema de produção de alimentos predominante, é preciso reconhecer e decompor o caminho da transição que nos leva até ela. Reconhecer no nosso dia-a-dia aonde estamos errando e como podemos fazer para melhorar a paisagem ecológica das nossas propriedades”, finaliza Aline.
Segundo a técnica de campo Thaís David de Amorin, ao longo dos anos do projeto, foi possível perceber uma mudança na forma de ver a cultura do tabaco. “Muitos produtores viam a cultura como única alternativa de renda para pequenas propriedades, trabalhando com insatisfação e falta de qualidade.  Ao final do projeto, é satisfatório ouvir relatos de produtores que pensam em abandonar a cultura do fumo por descobrir novas atividades mais rentáveis e que ofereçam melhores condições de trabalho”, destaca Thaís. De acordo com ela, em algumas famílias houve a diversificação da propriedade ou o fortalecimento de uma atividade secundária. “Vejo como técnica que o processo de mudança foi iniciado nessas famílias assistidas pela chamada pública. O despertar desses agricultores para novos horizontes foi bastante desafiador, já que o processo de integração feito pelas indústrias fumageiras é bastante vicioso e cômodo, embora nada vantajoso para esses produtores.  Ao fim desses três anos de programa, é bastante satisfatório ver a diferença que o mesmo fez na vida de muitas famílias”, conclui a técnica.

 

Assessoria de Imprensa da Cresol Central SC/RS