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Publicado em: 16/07/2008

ASCOOB realiza intercâmbio com DIACONIA no Sertão do Pajeú – PE

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Entre os dias 25 e 27 de Junho a ASCOOB realizou um intercâmbio com a DIAONIA (ONG parceira na Rede ATER/NE) sobre a construção do conhecimento agroecológico. O encontro foi realizado em Afogados da Ingazeira – Sertão do Pajeú – PE. A visita de intercâmbio foi custeada pelo convênio ASCOOB/MDA “Projeto Parceiros da Terra – ATER com controle social”, e teve como principal objetivo conhecer em linhas gerais a abrangência e atuação da DIACONIA, metodologia de ATER, conhecer algumas práticas e experiências agroecológicas assessoradas pela entidade e a participação dos/as agricultores/as na construção do conhecimento agroecológico.

O primeiro momento da visita foi dedicado à contextualização político, social e organizativo das organizações parceiras. Este começou com uma breve apresentação, onde todos e todas colocaram as suas expectativas em relação ao intercâmbio. Clodoaldo Jorge, coordenador de ATER da ASCOOB, faz um breve comentário sobre o objetivo da visita e na oportunidade fala do aspecto organizacional da entidade, sua equipe técnica, atuação, abrangência, público alvo e metodologia de ATER implementada na busca de oferecer aos agricultores familiares uma assistência técnica sistemática e o crédito na perspectiva de potencializa/estruturar as unidades de produção familiar. Em seguida, Ita Porto e Adilson, representantes da DIACONIA faz exposição de diversos materiais didáticos fruto das sistematizações das experiências compartilhadas com os agricultores/as na convivência com o semi-árido, agricultura familiar agroecológica, segurança hídrica, alimentar e nutricional e acesso a mercados, disponibilizando todas as publicações para os participantes. Comenta a trajetória da entidade. A DIACONIA é uma organização social sem fins lucrativos e de inspiração cristã, fundada em 1967, focando as ações na defesa dos direitos humanos e promovem transformações pela educação e pela organização política das comunidades. A instituição atua nos meios urbano e rural, beneficiando diretamente crianças, adolescentes, jovens e suas famílias de comunidades populares das regiões metropolitanas de Recife (PE) e Fortaleza (CE); famílias agricultoras das microrregiões do Sertão do Pajeú (PE) e do oeste Potiguar (RN) e lideranças de Igrejas nas cidades de Recife (PE), Natal (RN) e Fortaleza (CE). A atuação da DIACONIA está organizada em três programas: Programa de Promoção da Criança e do Adolescente (PPCA), Programa de Apoio à Ação Diaconal das Igrejas (PAADI) e Programa de Apoio à Agricultura Familiar (PAAF).

Adilson fala da experiência dos agricultores experimentadores e dos multiplicadores na perspectiva de fomentar a construção do conhecimento agroecológico mais horizontal, ou seja, de agricultor para agricultor. Percebe-se a importância e o papel dos técnicos/as e a participação dos agricultores na construção do conhecimento agroecológico, onde o técnico assessor atua facilitando os processos, sendo os agricultores autônomos para realizar seus experimentos em suas propriedades. Às vezes os técnicos assumem o papel ora de político representando as instituições, ora de assessoria técnica as famílias e ainda fazem o trabalho de sistematizar as experiências produzindo o material didático utilizado para capacitar as famílias.
Após este primeiro momento, a equipe conhece o Escritório/Casa de Apoio da DIACONIA – Afogados da Ingazeira, onde é apresentada a equipe técnica, instalações e capacidade operacional instalada da entidade para executar projeto.
O segundo momento dedica-se às visitas de campo, com o objetivo de conhecer as práticas e experiências agroecológicas dos agricultores familiares, assim como intercambiar experiências. A atividade permite aos técnicos/as aprimorarem sua formação e conhecimento em agroecologia com as famílias agricultoras e possibilita, sobretudo a troca de experiências entre os agricultores.
A primeira experiência é de Genedite e Deca, localizada no município de Afogados da Ingazeira, às margens de uma barragem no Rio Pajeú. A família adota os princípios da agroecologia, onde aproveita o potencial hídrico da barragem, desenvolve uma agricultura bastante diversificada e produtiva, em uma área de 1 hectare e ainda cria caprinos e aves caipiras, aproveita o esterco através de um minhocário, que melhora a qualidade do adubo, usado para fertilizar o solo no pomar e na horta.

A família vive exclusivamente do que ela produz na terra. Participa de duas feiras agroecológicas onde vende seus produtos diretamente ao consumidor. Há cerca de cinco anos recebe o apoio da DIACONIA, que cedeu a infra-estrutura de irrigação, faz o acompanhamento técnico e a organização do espaço de comercialização. A partir daí, a família deixou de produzir somente milho e feijão e com capacitações através da realização de intercâmbios de troca de experiências com outros agricultores foi modificando a forma de trabalhar e cultivar melhorando a alimentação e saúde, proporcionando maior sustentabilidade da unidade de produção. Um aspecto observado por todos é a consciência sobre a preservação dos recursos naturais e a preocupação com a segurança alimentar da família e dos consumidores dos seus produtos. Entre as dificuldades observadas vale a pena destacar que a experiência ainda é pontual e até agora só um vizinho começou a seguir o exemplo. É Importante registrar a participação da família na associação dos produtores agroecológicos, onde comercializa os seus produtos há pelo menos cinco anos. A experiência visitada mostra a dinâmica e interação que os sistemas agroecológicos promovem.
Pode-se considerar uma experiência bem sucedida, e serve de parâmetro para o trabalho dos técnicos/as, como também desperta a necessidade dos agricultores/as que participam do intercâmbio experimentar em suas propriedades as experiências.

Dona Genedite e Sr. Deca compartilha com os técnicos/as e agricultores, a sua experiência no cultivo de hortaliças e frutas que comercializa na Feira Agroecológica de Afogados da Ingazeira e Itabira – PE.

A segunda propriedade é de D. Eliana, beneficiária do projeto P1+2. A propriedade possui uma área de 3 ha, onde cria aves caipiras, bovinos e faz armazenamento de forragens como capim de corte, feno, silagem, utiliza sorgo, milho, xerém na alimentação dos animais e cultiva muitas fruteiras como banana, laranja, goiaba, pinha. O objetivo principal da visita é conhecer a experiência da cisterna calçadão (capacidade 52 mil litros) que é utilizada para armazenar grandes volumes de água das chuvas captados num terreiro cimentado com inclinação para o reservatório. O armazenamento de água é uma estratégia que permite potencializar a produção visando principalmente a segurança alimentar da família.

As outras duas experiências visitas são no município de São José do Egito. A primeira pertence à família de D. Fátima e o Senhor Adalberto.

A propriedade denominada Sítio Filipe, possui uma área de terra de 0,6 ha, onde cria aves caipiras, caprinos e cultiva hortaliças e fruteiras. Tem uma barragem subterrânea tecnologia que permite maior resistência ao período de estiagem. Outro aspecto da barragem é que possibilita o cultivo de hortaliças, fruteiras, forrageiras para os animais e maior disponibilidade de água para a utilização nos sistemas produtivos.

Dona Fátima com muito entusiasmo apresenta o sistema de produção, o manejo que ela tem para manter o plantel de aves livres de parasitas e doenças e equilíbrio na produção. A alimentação básica das aves é a forragem triturada e o milho. O resultado alcançado com a produção das aves que comercializa na feira agroecológica do município possibilita aumento na renda familiar e permite a aquisição de bens de consumo e imóveis. Destaca a importância das cooperativas de crédito e os financiamentos para a estruturação das propriedades. O Sr. Adalberto conta que antes da barragem o nível de água dos poços era baixo e supria as necessidades de 7 famílias, mas tinha época que o consumo era bem limitado e com a barragem não falta água. A família participa da associação da comunidade, conselhos municipais. Ressalta ainda que os empréstimos feitos aos agricultores da comunidade onde residem passam pela aprovação do conselho/núcleo local que aprova ou não a liberação do recurso.

A segunda experiência visitada fica na comunidade de Retiro. Os jovens Pedro Ivo e Ivoneide possui uma área de 8 ha. Contam que antes deste projeto os
pais só plantavam algodão, feijão, milho e algumas fruteiras para a alimentação da família. Em 2002, com do Projeto Parceiros da Terra firmam parceria com a DIACONIA, onde despertam para olhar mais sistêmico da propriedade, diversificando as atividades, deixando principalmente de utilizar agrotóxico e valorizando os recursos naturais e a agroecologia. Participa da associação comunitária de Retiro, do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e da feira agroecológica do município onde comercializam os produtos. Além da diversidade dos cultivos, criam bovinos, caprinos e abelhas.
Ivoneide e Ivo declaram que a qualidade de vida melhorou muito, assim como o reconhecimento do valor da terra, plantas e do meio ambiente.

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