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Publicado em: 01/09/2026

Produtor catarinense aposta na produção sustentável de uvas

Edir Rigo, cooperado da Cresol em Videira (SC) e proprietário da Casa Rigotti, investe em práticas no cultivo de uvas que priorizam a saúde do consumidor
Produtor catarinense aposta na produção sustentável de uvas

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“A gente não vende uva, a gente vende segurança alimentar”, ressalta o produtor, Edir Rigo, de Videira, no meio-oeste catarinense. Na Casa Rigotti ele trabalha ao lado da esposa e da filha para transformar a forma de cultivo da uva. Foi com este propósito que em 2020, a família buscou investir na redução de defensivos agrícolas na produção de uvas garantindo segurança e a qualidade da fruta ao consumidor. 

A preocupação com a segurança alimentar está relacionada à própria experiência do produtor. Edir trabalha com aplicação de defensivos desde os 12 anos e conhece os riscos envolvidos no processo de produção. Por isso, o objetivo é encontrar formas de cultivo utilizando cada vez menos produtos químicos, sem abrir mão da produtividade e da qualidade. 

No último ano, a família encaminhou amostras da produção para análise de resíduos químicos. Segundo Edir, o resultado superou as expectativas e o exigido pela legislação. Para a próxima safra, a meta é aprimorar ainda mais o manejo.

Essa escolha de produção, conforme Edir, também envolve aceitar perdas na produção. Na última safra, por exemplo, o produtor perdeu mais de cinco toneladas da fruta. As dificuldades de manejo foram um dos responsáveis pelo prejuízo. Ao invés de intensificar a aplicação de produtos para tentar recuperar a produção, Rigo destinou as frutas para a produção de graspa – uma bebida feita à base do bagaço da uva.

“A gente prefere perder essa uva do que colocar em risco quem está comprando”, afirma.

Estratégias para uma produção mais sustentável

Produtor catarinense aposta na produção sustentável de uvas

Uma das formas de proteger a fruta e utilizar menos produtos químicos é a cobertura dos parreirais. Além de proteger das condições climáticas, a estrutura contribui para reduzir a necessidade de determinados tratamentos. “Não adianta você cobrir e continuar usando os mesmos tratamentos. A cobertura já é justamente para diminuir os tratamentos e te dar essa segurança”, explica.

Experiência aproxima consumidor da produção

A busca pela transparência do cultivo levou a família a abrir a propriedade para a visitação durante a safra. A experiência permite que os visitantes conheçam as parreiras, acompanhem o processo de produção e tenham contato com a uva. 

Durante o roteiro, os visitantes são conduzidos até os trilhos do trem, localizados aos fundos da propriedade, onde também está uma cruz que marca um episódio conhecido como o assalto ao trem pagador. O passeio inclui ainda uma visita à cachoeira que faz parte da propriedade.

Depois do passeio, os visitantes recebem uma cesta e seguem até os parreirais, onde conhecem o sistema de produção. Eles podem colher e consumir a uva diretamente da parreira. 

“Você não consegue ver no mercado de onde veio esse morango, essa banana, essa manga. Aqui a gente abre para o público e fala como é feito, como é trabalhado”, destaca Edir.

Sustentabilidade faz parte da rotina da Casa Rigotti

O cuidado com o meio ambiente está presente em outras práticas da propriedade. A família possui uma atenção especial com as nascentes e utiliza água de fonte. O sistema de tratamento de esgoto doméstico também foi pensado para evitar impactos. Para Edir, sustentabilidade não significa realizar grandes investimentos, mas utilizar de forma responsável os recursos naturais que a propriedade já oferece.

“Para mim, sustentabilidade é trabalhar com o que você tem. Isso norteia os investimentos que realizamos ao longo dos anos. Buscamos tecnologias, formas de manejo capazes de aumentar a segurança da produção sem transformar a propriedade em um projeto de grandes estruturas e altos custos”, afirma.

Crédito impulsiona a transformação da propriedade

A implantação do modelo exigiu investimentos que não seriam possíveis apenas com recursos próprios. Conforme Edir, a Cresol, instituição financeira cooperativa, teve uma participação importante. 

A família financiou projetos de irrigação, implantação do pomar e duas estruturas de cobertura dos parreirais. Os projetos foram elaborados com apoio da Epagri e alguns recursos contaram com subsídio do Estado. “Se não fossem os financiamentos, a gente não conseguiria fazer tudo o que fez, porque a gente não tinha esse dinheiro. A Cresol foi muito importante, facilitando esses financiamentos para nós”, destaca.

Um modelo que começa a colher resultados

Embora o projeto ainda esteja em fase de evolução, a família já percebe mudanças na forma como o consumidor enxerga a produção da Casa Rigotti. 

Edir ressalta que o diferencial da Casa Rigotti está justamente na combinação entre sabor, origem conhecida, manejo responsável e a possibilidade de o consumidor conhecer pessoalmente o processo. 

“A Casa Rigotti se apresenta como um exemplo de transição para uma agricultura mais resiliente, mostrando que tecnologias como o cultivo protegido, associadas ao uso responsável de insumos, à preservação ambiental e ao acesso ao crédito, podem contribuir para uma produção mais segura e preparada para os desafios climáticos”, aponta

O modelo de produção também se conecta aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, especialmente os relacionados à agricultura sustentável, saúde e bem-estar, água e saneamento, consumo responsável e ação climática.

Mais do que buscar um selo ou uma certificação, a família quer construir confiança. Para Edir, o intuito é que quem compra uma uva da Casa Rigotti saiba não apenas onde ela foi produzida, mas também que existe uma família por trás daquele alimento, preocupada com a saúde do consumidor, com o meio ambiente e com a continuidade da própria atividade rural.

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